I. A velha história da paixão versus amor
Quando paro pra pensar sobre a paixão e o amor, há duas coisas que ficam claras de imediato: a paixão é tempo e o amor é espaço.
Bachelard fala sobre a memória como algo fixado em um espaço, e não em um tempo específico... é um pouco complicado, mas de forma extremamente resumida: o tempo se condensa em espaços-memória. Quando voltamos para uma memória, ela é potencializada pela imaginação a partir do espaço, criando uma outra realidade, na qual o tempo pode ser até equivocado.
Assim, sempre encarei a paixão como esse algo que acontece, te puxa em um mergulho intenso em emoções e breves momentos, e aos poucos se desfaz... mas não por acabar — às vezes ela só acaba, e tudo bem —, mas por servir como uma ponte para nos conectar e permitir que exploremos algo especial em alguém. Durante esse momento de paixão, o tempo assume diversas formas e os momentos que se criam carecem de certa profundidade e, por isso, são memórias mais fáceis de se perderem ou misturarem.
A falta de profundidade não é algo negativo, pois a paixão é como um mergulho em um novo horizonte de informações, mas estamos tão ansiosos para ver o que há além desse horizonte (medo, ansiedade, expectativas, etc), que as coisas parecem apenas nos atravessar, sem necessariamente provocar uma mudança significativa. Nós não estamos no momento da paixão, nós consumimos ele.
