01 janeiro

Os Millennials mataram a paixão

I. A velha história da paixão versus amor

Quando paro pra pensar sobre a paixão e o amor, há duas coisas que ficam claras de imediato: a paixão é tempo e o amor é espaço.

Bachelard fala sobre a memória como algo fixado em um espaço, e não em um tempo específico... é um pouco complicado, mas de forma extremamente resumida: o tempo se condensa em espaços-memória. Quando voltamos para uma memória, ela é potencializada pela imaginação a partir do espaço, criando uma outra realidade, na qual o tempo pode ser até equivocado.

Assim, sempre encarei a paixão como esse algo que acontece, te puxa em um mergulho intenso em emoções e breves momentos, e aos poucos se desfaz... mas não por acabar — às vezes ela só acaba, e tudo bem —, mas por servir como uma ponte para nos conectar e permitir que exploremos algo especial em alguém. Durante esse momento de paixão, o tempo assume diversas formas e os momentos que se criam carecem de certa profundidade e, por isso, são memórias mais fáceis de se perderem ou misturarem.

A falta de profundidade não é algo negativo, pois a paixão é como um mergulho em um novo horizonte de informações, mas estamos tão ansiosos para ver o que há além desse horizonte (medo, ansiedade, expectativas, etc), que as coisas parecem apenas nos atravessar, sem necessariamente provocar uma mudança significativa. Nós não estamos no momento da paixão, nós consumimos ele.

20 novembro

Carta aberta para quem eu disse 'eu te amo'

É indescritível quando estou com vocês. 

McCandless escreveu que 'a felicidade só é real quando compartilhada' e existe uma verdade absoluta nisso. Tão absoluta quanto a solitude ser uma virtude é mentira. 

Há espaços na solitude que são como o golden ticket, onde temos tempo para respirar, para refletir sobre nós mesmo e com nós mesmo.

Mas existe também uma confusão, uma hiper estima ou expectativa de que estar só seja um momento quase transcendente. Não é. Há um prazer no recolhimento que sinto ser semelhante com a melancolia, nostalgia ou qualquer merda como essa. Eu entendo que precisamos de momentos para nós, mas a felicidade de McCandless é algo que pulsa na partilha e é nesse ponto que nós todos falhamos.

18 novembro

Despedaços

Dizem que nada é como a liberdade, mas poucas coisas parecem tão absurdas quanto pensar em liberdade.

Todas as noites meu suor azedo é um repúdio ao ontem, amanhã e ao agora, enquanto a liberdade se desfaz em uma corrente que me prende em uma realidade incapaz de preencher meus vazios.

E eu tento, com futilidades.

10 outubro

Somos artistas de merda

Me perdi olhando pela janela do 13º andar hoje. Choveu no Centro da cidade, meus pés molharam, mas tudo bem. Lembrei de algo precioso, que talvez tenha ficado no passado e senti aquela ansiedade pois não fiz o suficiente para que permanecesse no agora.


Você sabe o que eu quero dizer.

05 outubro

Rotina em curto (como adaptar/destruir uma câmera com circuit bending)

Circuit bending é uma técnica curiosa, ela vem dá música e é basicamente uma modificação/criação de instrumentos eletrônicos provocando "curtos" propositais pra ter resultados únicos e experimentais. A tradução seria algo como "dobrar" ou "torcer" circuitos, o que também é legal, pois você literalmente distorce a conexão entre os circuitos eletrônicos fazendo contato entre fios que não deveriam se conectar.

O termo foi cunhado lá em 1992 (ano que eu nasci :D) pelo artista Reed Ghazala, mas ele já vinha praticando e fazendo experimentos desde a década de 1960. Encontrei no canal da Motherboard no YouTube um vídeo bem legal sobre ele, vou deixar aqui pra você (ele é em inglês, mas dá de boa pra ativar a legenda e tradução).