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07 março

Reminiscência

Conto originalmente publicado na antologia Insólitos da editora Cavalo Café.
Sugestão para acompanhar a leitura:



***

“Ela estava presa, com as garras da Onça cruel rasgando sua pele e manchando o seu manto branco de vermelho escarlate. Do chão, as tribos em pânico entoavam canções tentando animar sua deusa que perecia diante do poder do inimigo, eles não acreditavam quando viam o brilho agora todo vermelho no céu, como se sangrasse sobre a Terra.”

As palavras da velha não eram para assustar, mas enriquecer a criança com fragmentos daquilo que fazia sua cultura forte, suas histórias e origem. A menina se revirava com a cabeça sobre o colo da anciã, que não perdia o fôlego. A noite estava agitada, o vento vindo do litoral prometia uma tempestade. As luzes das fogueiras fora da oca atravessavam pelas frestas da madeira e ilustravam a narrativa com formas abstratas.

Há pétalas sob o sol

Algum momento presente.

Tão acolhedor era o cair da tarde sobre Beladona, que o sol e a lua pareciam dançar exibindo suas belezas sobre as ruas encharcadas naquela época do ano. As folhas amareladas das árvores que tentavam resistir ao inverno criavam uma malha macia e delicada sobre o chão, cobrindo o pouco do verde que restava e trazendo nostalgia ao coração dos mais velhos e encanto para os mais novos. “É a voz dos espíritos cantando enquanto buscam seu caminho.” diziam os mais velhos quando o vento chiava passando pelas frestas.


08 outubro

Santo Amaro

Santo Amaro é um conto inspirado em Creepypasta e narra a história de jovens estudantes e um professor em uma visita a um hospital psiquiátrico abandonado e o encontro com uma entidade sinistra.


25 abril

Um Conto do Mar

Durante uma sessão de tatuagem, o velho Eli confessa para seus amigos uma de suas desventuras, narrada com tinta e agora, com suas palavras. Quando jovem, ele vivia em uma pousada lavando pratos, servindo mesas e tatuando todo o tipo de pessoa, de simples mercadores aos piores bandidos. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ele mata um oficial da marinha, em legítima defesa, mas em Meradosia, esse é um detalhe que não importa, pois Eli é negro.

Tomas, um experiente marinheiro que se tatuou com Eli mais cedo naquele dia, o ajuda a escapar, levando-o junto em uma jornada pelos mares em busca de uma criatura mitológica: o dragão-do-mar.

Eli irá aprender a trabalhar no navio, conhecer pessoas tão diferentes quanto o sol e a lua, assim como descobrir uma paixão. Mas o destino também lhe ensinará sobre humildade, amizade e a dor.


Nanquim

Jon é uma artista reclusa, a típica nerd que prefere viver em seus próprios devaneios e não encarar o mundo e suas verdades.

Durante uma noite na biblioteca da cidade, enquanto estudava anatomia de animais e desenhava criaturas fantásticas em seu caderno, ela foi surpreendida por uma garota que se aproximou de surpresa, após uma breve conversa, a garota parte, mas deixa um bilhete escondido entre as folhas de desenhos com uma mensagem misteriosa: Rua Olavo, 23, 23, 23.

Após desvendar o quebra-cabeças, Jon mergulha em um mundo de esquisitices, tendo seus sentimentos e emoções postos a prova diante de um horror inesperado e sobrenatural.



Massala

Massala é um conto ambientado em futuro distópico, onde uma cidade é palco de um ataque kaiju e de uma investigação criminal extramamente suspeita. Criado com o incentivo de um desafio no Twitter e também dedicado ao apoiadores mensais.

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"Uma cena de crime violento, mas sem corpos. Vestígios suspeitos de um escândalo corporativo, mas sem provas. Massala é um detetive traumatizado pela perda da família e terá que dar o melhor de si em uma corrida contra o tempo para desvendar este crime misterioso.
Nesta desventura futurista, enquanto a cidade está sob ataques constantes de kaijus, Massala irá explorar a cidade e visitar velhas amigas em buscas de respostas, mas não se engane, em um mundo cótico, em quem realmente ele pode confiar?"



Sofia

"Da janela do seu estúdio, Sofia observa a cidade sob seus pés, se questionando sobre as amarguras da vida que levaram o mundo a se encontra na situação anárquica em que está. Ela vaga pela cidade observando e absorvendo, rodeada por um futuro distópico e radiante, até que um evento a coloca em situações inusitadas e cheias de perigos. Sofia será guiada por uma noite de caos, experimentando a excitação, o medo e o desespero."


26 abril

A chuva

Uma trovoada ensurdecedora me despertou, como um rugido feroz e esmagador, intimidando até a mais corajosa das criaturas. Respingos caiam sobre minhas partes desnudas, como garoa leve e monótona, um assobio longo incomodava meus ouvidos, e minhas narinas se esforçavam para respirar debilitadas pela gripe. A escuridão dominava o ambiente. Levantei-me, escorando-me nas paredes, explorando o lugar, procurando uma porta. De tempos em tempos, relâmpagos explodiam do lado de fora e o flash repentino expunha fragmentos do local por um breve segundo.

24 março

O Nômade

Minha respiração estava ofegante, as pernas tremiam dando sinal de que eu não aguentaria correr muito mais. O frio do subterrâneo se infiltrara em minha pele causando dores em todos os meus ossos. Ouvi os diversos passos se aproximando, carregando terror, sangue nos lábios, carne presa entre os dentes e um cheiro desgraçado de carniça. Os rosnados roucos e desesperados tornavam-se cada vez mais alto e furiosos. Tateei o chão em busca de qualquer objeto que pudesse servir como arma, proteção ou escape, o desespero mal deixava eu me concentrar, mas não demorou para meus dedos escorregarem sobre algo cortante, gélido e reconfortante naquela ocasião, um caco de vidro.
 

21 setembro

A Fera e a Rosa


Há muito tempo, em um lugar não tão distante, havia uma Fera. Possuía o corpo coberto por pelos escuros e olhos negros como a noite. Passava seus dias em estado agoniante, o mundo era pequeno para ela, sua mente estava lotada e exausta, e não conseguia mais dormir, por vezes, mal sabia distinguir a realidade da ilusão. Perdera peso rapidamente, pois a insônia consumia seu descanso e lhe privava da fome. Seu coração parecia uma tempestade em alto mar, confuso, negro, solitário, agitado.

25 maio

Nada mais

Meus passos foram ágeis e firmes, e consegui passar pela porta antes que o motorista do ônibus a fechasse. Aquele dia estava frio, mas frio de um jeito gostoso, aconchegante. As pessoas estavam bonitas, mais alegres, típico no sul. Encostei-me contra a porta e relaxei, minha respiração ficou levemente ofegante, mas logo eu me acalmei. O fone estava alto no meu ouvido, mas a música era prazerosa, me distraia e criava um sentimento longe de ser nostálgico. Fitei ponta a ponta do ônibus novamente, e de repente um choque visual me amorteceu.
 
Ela estava a minha frente, me encarando com um olhar profundo. Cai de cabeça naquele mar esverdeado, claro e pulsante, eu estava hipnotizado. Flagrei alguns fios de seu cabelo dourado voando sobre seus cílios e me distrai deixando meus olhos me guiarem até seus lábios, carnudos, avermelhados, convidativos. Seu nariz era bonito e suas bochechas rosadas, a pele parecia macia, e meu coração disparou.
 
Por alguns segundos, nós travamos, um no outro, e quando nos demos conta, aquilo pareceu embaraçoso e nossos olhares se desgrudaram, perdendo-se no ambiente. Eu tentava evitar, mas a cada movimento, eu me sentia forçado a observá-la, senti vontade de desenhá-la, escrevê-la, de tocá-la, meu lado artístico ressoou de formar indescritível, e uma inspiração me abraçou. Notei que ela se esforçava para não me encarar, mas em momento de distração e pensamentos aleatórios, eu a pegava, de canto de olho, me observando, estudando, desejando.
 
Ela disfarçou bem. Puxou um livro de dentro da bolsa, e se pôs a ler, mas não antes de me encarar novamente. O livro possuía belas ilustrações na capa e contra capa, de um título ligeiramente familiar A Última Quimera, um título chamativo, poético. Passamos mais alguns minutos naquele jogo de encontros e desencontros de olhares, nas idas e vindas da sua atenção sobre aquelas páginas, mas aquilo não durou muito, nos aproximávamos do terminal, e toda aquela admiração, aquela paixão secreta que fervilhou em nossos corações, por um momento tão repentino e breve, estava para ser apagada, cada um seguiria seu rumo, e as palavras que poderiam ser trocas, e nunca existiram, não teriam chance alguma de existir, de uma vez por todas.
 
Fitei-a enquanto ela puxou a página anterior a que estava lendo e a dobrou. Um sentimento oportuno me contaminou. Foi minha chance, foi um convite, não poderia ser ao acaso, não poderia ser coincidência. Ela se levantou, preparada para desembarcar, e logo mais pessoas vieram próximo a mim, bloqueando minha visão a aquela sedutora desconhecida. Olhei para todos, tentei compreender aquele momento, tentei imaginar se aquilo era o que chamavam de destino, e se a escolha que eu iria fazer, era uma das entrelinhas que preenchem o que chama de vida, eu só tinha dois caminhos a trilhar, tornar aquele momento algo apenas para eu guardar, continuar sendo uma pessoa simples, cuidadosa com si mesma, reservada ao seu próprio mundo, ou viver o que a vida me dispôs.
 
Avancei, passando por uma, duas pessoas, e logo eu estava ao lado dela. Senti o cheiro do seu perfume, meus olhos brilharam com a proximidade que dividíamos, e então ela me encarou. Meu coração apertou e algo me deixou brevemente sem reação. Esbocei um sorriso encabulado e levei a mão direita ao bolso de trás.

- Me desculpe a ousadia - tomei sua atenção por completo -, mas isto é para que você não precise mais dobrar as páginas do livro - completei puxando do bolso um cartão de visita que costumava entregar aos clientes das minhas artes.

- Ah! Obrigada! - Ela respondeu em um tom delicado, sua voz era doce, ela sorriu e um sentimento bom se aconchegou no meu interior. Observei-a saindo pela porta, pensando que um dia, talvez acontecesse de nos vermos novamente, e quem sabe aquilo poderia ser a oportunidade para conversarmos. Ela parou a alguns metros da porta e ficou observando o cartão. O ônibus ficou parado, o motorista estava adiantado.

Encostei-me contra a janela, me distrai da mulher e dei atenção ao meu mp3, pois naquele momento a música havia mudado, e um som inspirador e rico em sentimentos ecoou pelo fone e desvirtuou minha mente. A imagem da mulher estava fresca, então fechei os olhos para observá-la novamente, admirá-la, pude até sentir seu cheiro e logo me dei conta de que o cheiro estava próximo, o cheiro estava a minha frente. Abri os olhos, e a imagem daquela bela mulher não se desfez. Ela se aproximou, e o tempo ficou mais lento, levou suas mãos sobre meu peito e seus lábios encontraram os meus. Um beijo intenso, perfeito e estranho.
 
Ela se afastou, sem dizer palavra alguma, deu as costas e seguiu seu caminho. A porta se fechou e eu fiquei ali, imóvel e com o êxtase daquele momento. Foi filosófico, poético, foi real e eu entendi, interpretei. Aquele beijo não foi o acaso, não foi nem o destino, foi um fato, o fato de que ambos desejávamos aquilo. Eu sabia que na mente dela, aqueles pensamentos também se instalaram, aquele beijo teve que acontecer, ele poderia ser o melhor beijo de nossas vidas, poderia ser o beijo mais memorável, poderia ter criado o momento que ficaria para sempre em nossas mentes, poderia ser o início de um sentimento maior, o início de uma amizade, o início de um lance, ele poderia linkar nossas vidas, ou simplesmente ser um beijo único e nada mais, mas de uma coisa nós dois certamente tínhamos certeza... Aquele beijo foi real.

14 fevereiro

O Bosque de Cerejeiras


O Bosque de Cerejeiras

Em meio à guerra, o samurai não teve a força que devia, matou o pai, matou a mãe e por fim arrancou, com uma passada cruel de sua lâmina cortante, a cabeça do irmão... O menino estava no armário, e suas lágrimas escorreram ardidas e tardias, assim como o sangue de sua família, que lavou aquela terra. Ele saiu escancarando as portas do armário, vestindo uma máscara demoníaca, e avançou sobre o samurai. O pequeno possuía o corpo frágil e esquelético, dentes brilhantes e cabelo liso. O guerreiro por sua vez não recuou e não atacou, apenas observou, e observou... Por fim, golpeou o menino na cabeça e o largou desmaiado dentro da casa, saiu e ordenou que aquela terra maldita fosse queimada por inteira...

... Ó, uma bela tarde... As cerejeiras se agitavam com o vento que de leve tocava a face de suas folhas magnânimas. O bosque exibia apenas suas cores deslumbrantes, pois um silêncio breve pairava sobre a região. Não era um silêncio comum, era diferente de uma sala falante que logo se silencia, era mais doce. Não era um silêncio comum, era diferente de uma rua movimentada que a noite se esvazia, era mais sereno. Porém de supetão um ruído quebrou a nostalgia partilhada por tudo o que havia ali... Um vulto cruzou algumas árvores, marcando-as com o sangue que escorria de suas mãos e encharcavam os troncos no seu esforço de manter-se em pé.

- O sol já vai se por... - Resmungou o samurai moribundo ao escorar-se em uma cerejeira e apoiar-se sobre sua espada. Ele se esforçou para caminhar por mais alguns metros, sua armadura estava aos pedaços, coberta por sangue frio e alheio, e de sua face, via-se apenas uma longa cicatriz do lado esquerdo que cortava até a sobrancelha e abaixo um olhar profundo de um homem que já descera ao inferno e provara do pior castigo.

Junto com ele, uma brisa forte caminhava e o ultrapassou. Ele olhou para trás, e ao fundo do bosque, lá longe, flagrou uma leve mancha negra e logo o cheiro de carne queimada o alcançou. Ele elevou o braço sobre a face, evitando que seu estômago se embrulhasse ainda mais do que já estava.

- Morte, morte, morte... - repetia o samurai com sigo mesmo. - Ó Grande, deixe-me redimir-me com meus pecados, pois minha honra já está enterrada, minha alma coberta por sangue inocente, ao menos uma vez, me guie para fazer o certo.

O sol não demorou a se esconder, mas logo a frente ele flagrou uma jovem, deitada sobre um gramado fino, era a saída do bosque e o pequeno terreno que se seguia, dava para a ponta de um precipício. Ele apressou-se o máximo que pode e ao alcançar a jovem, tratou de conferir se ela estava viva. A respiração estava fraca e o olhar entreaberto estava distante.

- Não! Mais morte em minhas mãos... Se eu sou amaldiçoado, leve-me de uma vez! - Exclamou o samurai furioso com o destino.

Ele ergueu o corpo semimorto e o carregou por um curto espaço, deitou-o apoiado em uma pedra e passou dois dias a cuidar da jovem. Dia e noite ele a observava sem encarar totalmente, travando uma luta interna com sigo mesmo até que na quarta noite, ao retornar de uma caçada, o corpo não estava mais lá... A jovem desaparecera e deixara para trás apenas a fogueira que o samurai havia acendido. Ele se desesperou, sentiu um forte desconforto em seu peito, mas logo se acomodou e se pôs a comer.

A noite passara duramente, e por todas as horas, ruídos assustadores, gritos e "culpado!" ecoaram de dentro do bosque. O manto negro da noite dava sua última graça e o samurai finalmente descansava, quando um estalo o despertou, ele se apoiou sentado, tentou pegar sua espada, mas sua mão passou no vácuo... Ela sumira. Seu coração acelerou e uma cena se repetiu na sua cabeça, de forma semelhante e ao mesmo tempo distinta.

Um vulto saiu das sobras do bosque, vestindo uma máscara demoníaca... Caminhava sutilmente em direção ao samurai, o qual permanecia imóvel. Seus passos eram suaves, o corpo aos poucos foi se expondo, a máscara já se mostrava completa e logo seios avolumados se ergueram na luz, o corpo afinou na cintura e alargou novamente no quadril, o samurai observou a beleza esfíngica da mulher que caminha em sua direção, pasmo, perdido, inquieto e sem reação. Mais alguns passos, ela estava a menos de três metros do guerreiro, ele esboçou um sorriso perverso que se converteu em uma expressão de terror. De suas costas, a mulher puxou uma lâmina, desembainhando-a, a espada do samurai.

Ele se desesperou e tentou correr, mas a mulher ao vê-lo virar-se e tentando arrastar-se, lançou a lâmina contra seu tendão, um grito ecoou alto. O samurai virou-se atordoado com a dor e encarou com temor a mulher misteriosa.

- Sangue do meu pai! - exclamou ela se aproximando e cravando a espada no ombro do guerreiro. Ele gritou. - Sangue da minha mãe! - puxou a lâmina e cravou no outro ombro. Ele gritou ainda mais alto e as lágrimas começaram a escorrer. - Sangue de meu irmão! - puxou a lâmina na face, marcando outra cicatriz no samurai. Aproximou-se um pouco mais, ajoelhou-se diante dele e o encarou. O samurai tremeu reconhecendo o olhar que transparecia pelos furos da máscara. - Pelo sangue da minha terra amaldiçoada. - Finalizou ela, levou a lâmina ao pescoço do guerreiro e com um deslize, o decapitou.

A cabeça rolou pelo gramado fino, o sol despertou iluminando o cenário mórbido e dando-lhe um novo contraste. As cerejeiras se agitavam com o vento que de leve tocava a face de suas folhas magnânimas. O bosque exibia apenas suas cores deslumbrantes, pois um silêncio breve pairava novamente sobre a região. Não era um silêncio comum, era diferente de uma sala falante que logo se silencia, era mais doce. Não era um silêncio comum, era diferente de uma rua movimentada que a noite se esvazia, era mais sereno. Era o silêncio da morte, da sua passagem, da sua visita, era o silêncio da vingança, da satisfação, era o silêncio da dor, da tristeza... Era o silêncio da guerra.
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Por W. Albuquerque.
* Direitos Autorais - clique aqui.

Espero que tenham gostado! Segunda posta da nova coluna Um Gole de Utopia. Dúvidas, sugestões e comentários serão bem vindos <3

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