17 março
Quero escrever sem escrever
01 março
Luto é poesia
26 janeiro
Ainda tô aqui
Quando me perguntam o que é o amor...
Para mim são todas as vezes que cozinhei receitas malucas só para te ver animada
e até suas caretas valiam a pena.
Foram as horas, longas horas acordado contigo assistindo coisas
que nem me lembro em detalhes, pois estava lutando para não pegar no sono
antes do sol nascer e aproveitar um minuto a mais te vendo sorrir,
chorar ou reclamar do roteiro ou qualquer coisa.
São todas as vezes em que ofereci ajuda,
mesmo sabendo da sua capacidade,
simplesmente por eu querer dividir o seu fardo,
pois não precisamos carregar tudo sozinhos na vida
e espero que você descubra isso...
mas ainda me admiro com sua força e determinação.
Quando me perguntam o que é o amor,
para mim é a capacidade de guardar no peito tantos bons momentos
e saber que também cresci com os ruins, mesmo quando você partiu...
e ainda assim eu te amo... pode ser esse amor ou aquele,
mas ainda tô aqui, e sei que você tá aí.
18 novembro
Despedaços
19 abril
Sexta Santa
Caminhei por algumas horas de manhã... me despi da solidão e sai.
Vi o sol nascer e senti meus pés começarem a doer até a fome incomodar mais do que os pensamentos.
Havia uma bolsa de agonia esmagando meus pulmões, e aquele desafio constante de aceitar que o hoje é a única verdade, que o ontem não existe mais e o amanhã é apenas um delírio.
Não consegui chorar quando lembrei do meu melhor amigo e do calor da presença dele, algo que nunca mais vou sentir.
Foi agridoce, pois apenas ele me fazia sentir bem quando dizia que "tudo vai ficar bem". Fora o sangue, acho que esse foi o único amor que conheci.
Apenas ecos. Eu me sustento sobre ecos. Eu me alimento desses ecos. Uma reprogramação constante da mente para não deixar que tudo simplesmente acabe.
O esforço mor para nadar contra a correnteza que sempre me abraça com carinho em seu convite para a escuridão.
Queria chorar por coisas bonitas. Mas estou aqui, sendo engolido pelo tempo em tantas realidades distintas, que não sei mais o que é prazer ou o que é dor.
01 março
Um canto
23 fevereiro
Maldito concreto
04 janeiro
Colar de memórias
02 janeiro
Quebra ondas
01 janeiro
Ao chegar ao chão
25 dezembro
Eco
Sou apenas mais um eco nesse vasto espaço,
Com ondas que se espalham e enfraquecem,
Até que nada resta, apenas o que um dia esteve ali,
E agora, nunca mais estará.
21 dezembro
O que é arte
Afogado em leituras que mixam reflexões e críticas sobre como o cinema e os jogos eletrônicos se aproximam e distanciam, assim como a realidade se distorce a cada geração tecnológica de experiências, me peguei pensando sobre O QUE É ARTE.
Essa palavra dolorosa tem sido uma incógnita há alguns anos, a ponto de eu sequer identificar arte no meu próprio fazer arte.
Mas, com os pés molhados embaixo do sol quente e tentando não pensar na insignificância da vida mundana, algumas ideias começaram a esquentar na minha cabeça, e é claro que eu nunca vou concluir o que é arte — tal como eu estou pouco me fudendo para o que você ou outras pessoas acham que é.
Porém, nós precisamos de um chão, de um significado, um pouco de sanidade mesmo que no escuro... eu acho.
ARTE é um esforço frustrado da humanidade em por em palavras, formas, desenhos ou sons aquilo que se sente. Frustrado pois enquanto não conseguirmos remover e inserir uma experiência entre pessoas, nada irá traduzir essa experiência.
De certa forma, pelo menos neste momento, entendo que a arte é essa ilusão solitária de que estamos propagando algo, mas não passa de um olhar otimista, pois ninguém sabe o que estamos fazendo.
Cada realidade criada a partir de uma obra é subvertida, destruída, mastigada, pela realidade criada a partir dela por quem a aprecia.
Entender o que é a arte não vai mudar minha vida ou a sua, mas tem certos mistérios que não conseguimos ignorar, e por mais que ninguém se entenda, vamos sempre continuar fazendo essa merda.
Nota: isso não é um esforço intelectual, uma concepção acadêmica ou mesmo uma formulação teórica. É uma poesia, não entendeu?
29 maio
Pés descalços
31 outubro
A adaga
Pele na pele, a excitação transbordava
Delírios intermináveis e imensuráveis
Ela disse que aquilo era o amor.
Seus lábios tocaram os meus, e desceram pelo meu pescoço
Um calafrio correu pela minha espinha
E um suspiro longo marcou o momento.
Meu corpo gelou ao ser mordido
E uma pressão em meu peito me tirou da realidade
Com uma mistura amarga de dor e prazer,
Então ela se afastou...
E deixou, além do desejo, a sua adaga cravada em meu coração;
Banho de sangue.
18 outubro
Você deixou
O caos que ficou,
Tem lágrimas e sangue pelo chão,
E apenas o foda-se que você deixou.
E a tal lista negra,
Manchada com um único nome,
Letra carregadas de amor e ódio,
Vidas rasgadas e disformes.
Ah, suspiros tu arrancou quando partiu,
Me trai em dor, tu me iludiu,
Triste esse meio reflexo insano que sobrou,
Saudades de ti sanidade.
20 agosto
Faça, Faça
Se é assim como tu queres me ter,
Tira-me desse estorvo abstrato,
Ata-me as mãos às costas, e faça,
Faça o que sempre quiseste fazer,
Pois abdico da minha liberdade pelo seu prazer,
Tu agora deténs meu dote, mas...
Apenas por um breve momento,
Sangra-me, bata-me, transa-me,
Fazes o que bem entender,
Pois tu não vês o que há aqui dentro,
Florescendo e florescendo,
Queimando, me corrói, sinto ardendo,
Já foi vermelho escarlate, vinho e agora...
E agora é uma camada de negro rubro,
E irá tornar-se como o manto da noite,
Como um olhar que se mantém distante,
Como à escuridão largado a sorte,
É a cor do ceifeiro que cantará em breve a sua morte,
E a tu não restará mais esperança,
Enquanto cairei à sua frente, gozando a vingança.
01 julho
Sob o olhar
Com suas palavras amargas e espinhentas,
E suas garras cravadas em meu coração,
Que sangra de desgosto, fúria e temor,
Diante do seu semblante de prazer
12 março
Essas flores
Enche-me de surpresa,
Ao ouvir sua voz soar.
Tenha certeza,
Atenção e clareza,
Que esse toque é amar.
Sinto-me à mercê,
Deslocado da realidade,
Entregue à você,
À deriva da mortalidade.
Fragilizado, amado em seus braços,
Amado, um afago entre seus seios,
Afago, beijado pelo seus lábios,
Beijado, jogado sobre anseios.
Ah, esse momento, como essas flores que te fazem sorrir.
06 janeiro
Cheiro dela
Também com o que sinto,
Nem sei mais o que quero,
Mas sim, sei o que é esse vazio.
O perfume que se foi,
O momento que acabou,
O sabor que fugiu dos meus lábios,
E apenas a memória que ficou.
Mas lembranças não são doces,
Lembranças não são boas,
São a arma que dispara sem parar,
E aquele vazio? Apenas aumenta.
Drama, ah! É um drama, sim,
Largar a simplicidade, as regras sistemáticas,
Eis meu maior erro.
Mas vou ter que engolir está dor,
Terei que me rastejar com este pesar,
Pois sou humano e fadado a errar,
Mas aproveitarei este momento de sofrimento,
E o muro vou reerguer,
Mais forte do que antes, e me preparei,
Para como um bm homem, perecer novamente,
Para o perfume doce desta mulher.
11 dezembro
Estrela
Esquivar-me do fato,
Que caímos a todo momento,
Do espaço por todos os lados,
Sem dor nem sofrimento,
Mas causando alheios estragos,
A descrença de algo mais,
Ah, esse tal sentimento,
Em pedaços nos faz,
Meros mortais que fogem ao esquecimento,
Aquele brilho que se desloca no céu,
Um momento que se esvai,
É o choque de olhares,
É uma estrela que cai.

