16 outubro

Quando inimigos não são maus por natureza

Esta é a série 'Pílulas', uma coleção de transcrições dos vídeos que tenho produzido para trocar ideias e provocar reflexões sobre jogos, audiovisual e design. Você também pode assistir abaixo, e aproveita pra conferir e seguir onde você preferir, pelo YouTube, Instagram ou TikTok! 😍

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Às vezes você acha que um jogo é sobre um herói, uma cidade ou até mesmo o vilão, mas South of Midnight é mais sobre monstros. Só que o mais interessante é que nenhum deles parece realmente maligno. Eles parecem machucados. Tem uma frase no artbook do jogo que diz:

Hurt people hurt people

... pessoas machucam pessoas. E esse jogo transforma essa ideia a partir da direção de arte de uma forma muito interessante. 

O jogo inteiro parece costurado: personagens, fios, tecidos, tapeçarias. E Hazel, ela é uma guerreira, mas também uma tecelã, alguém que tá ali pra costurar os padrões quebrados de volta no lugar. E talvez por isso que os monstros do jogo nunca pareçam simplesmente maus. Tom Dois Dedos, por exemplo, ele não nasce uma criatura violenta. Ele foi abandonado, passou fome, foi transformado em algo monstruoso pela maneira como ele foi tratado. E o jogo faz isso o tempo todo. Os monstros não representam o mau, eles representam o trauma que apodreceu por tempo demais.

Até o visual do jogo parece seguir mais ou menos essa lógica. A animação em stop motion não tenta esconder imperfeições. Você sente a textura em tudo, no tecido, no barro, até na poeira. E tudo parece feito à mão, como se o mundo inteiro tivesse sido montado pedaço por pedaço. E isso faz sentido, pois é um jogo obcecado por remendos, de famílias, memórias, corpos.

O próprio folclore do jogo funciona nessa mesma lógica. Lendas são só memórias que são costuradas através do tempo. E talvez seja isso que eu mais gosto no jogo. Ele entende que a direção de arte não serve só para deixar o jogo bonito. Ela pode carregar a ideia inteira da obra. E South of Midnight, no fundo, é sobre pessoas tentando sobreviver ao que as rasgou. E fica aí uma boa dica de história pra você conhecer.

06 maio

Acho que sou maníaco

Acho que sou maníaco. Não no sentido clínico, mas no sentido de que tenho uma obsessão por criar coisas. Quem lê o meu blog, já deve ter notado, quando não é com papel, é com código, ou música, ou escrita. Sempre tem alguma coisa pulsando aqui dentro. Implorando para ser jogado pra fora de alguma forma, em algum formato.

Talvez esse termo seja forte, mas sabe quando você encontra algo que parece caber? Fazer sentido? Dispenso todas as gravidades clínicas, acho que o termo é mais próximo pelo sentido de não conseguir controlar esse impulso de "fazer".

Há muitos anos vi um vídeo da Emilie Wapnick sobre pessoas multipotentialite, ou multipotenciais. Foi uma forma dela "categorizar" pessoas que tem o hábito de se apaixonar por algo, dedicar tempo e esforço para aprender, compreender e produzir, e então desapegam e vão para a próxima paixão. E isso acontece com uma frequência tão grande, que é difícil acompanhar. Em um mundo onde ser especialista é algo tão requisita, essas pessoas acabam se tornando os "fracassados" da sociedade, mas na verdade, são pessoas que tem uma capacidade de aprender e se adaptar de forma rápida e profunda—sim, nada elimina a profundidade, mesmo que seja algo que não se mantenha por muito tempo.

Acredito que estou há alguns anos permeando essas duas ideias. E tudo bem. Basicamente aprendi a lidar e ser assim. Mas esse não é um post pra dramatizar essa situação, e sim, principalmente, compartilhar um pouco das coisas que eu venho fazendo, e acabei acumulando e não compartilhando—e vocês sabem que eu gosto de compartilhar.

17 março

Quero escrever sem escrever

Estou num hiperfoco com zines, é. Não é ruim, fazia um tempo que eu tava buscando novas formas de me expressar, me divertir, e que diria que bagunçar e dobrar um A4 seria tão interessante.

Desde que me afastei da tatuagem, tenho buscado loucamente um novo "fazer manual", e como os jogos que eu crio pra gringa tem um formato semelhante... why not?

Semana passada eu fiz essa experiência com colagens, pois queria criar algo, mas estava meio cansado pra escrever algo... 

Na verdade tenho me perdido muito - sim, tempo - em pesquisas, e entrando em loops onde o pesquisar e arquivar referências tem sido mais interessantes do que chegar em algum lugar.

07 março

Então ela virou uma cadela

O cavaleiro parte em uma aventura enquanto a sua "amada" espera fiel ao seu retorno. Você conhece essa premissa de merda, narrativas que romantizam a espera feminina e normalizam relações abusivas.

Gwain's Girlfriend and the Green Night é um quadrinho de Polly Guo que subverte e critica a narrativa do conto clássico de Sir Gawain and The Green Knight, e também outros. Encontrei esse quadrinho por acaso no Tumblr — sim, ainda sou heavy user daquela plataforma esquisita — e baixei no Itch.io, que inclusive é um lugar super maneiro para quem quer encontrar contos, quadrinhos e jogos digitais e analógicos produzidos por artistas independentes.


01 março

Luto é poesia

hoje estou de luto
uma parte de mim morreu
uma parte tão inocente que é indescritível
é o amor incondicional perdido
e eu quero gritar, compartilhar 
pois dói muito carregar isso sozinho

mas é inútil
assim como essas palavras
como uma porra de poesia