26 outubro

Under the Twilight - Primeiro Dia

 Under the Twilight é um jogo solo de diário onde você vive na pele de uma pessoa lutou contra um grande mau, o Uhmio, e venceu. O tempo passou, o mundo seguiu em frente, mas você não, pois o Uhmio não corrompe apenas o corpo, mas também a mente, e você já não sabe mais o que é real ou não.

Esse jogo gira em torno de recontar a sua história, a sua aventura, e descobrir se você realmente é quem você acha que é, e se viveu o que acha que viveu, ou se o Uhmio venceu e ele, mesmo derrotado, conseguiu destruir a sua  mente. É um tipo de jogo que acaba tocando em tópicos sensíveis, então é sempre bom dar um tempo quando a própria escrita incomodar.

Pra jogar UtT é preciso apenas do jogo e um baralho de tarô completo. Durante a partida, a cada 'dia' da aventura, você vira uma de dez cartas de arcanas menores (que são como um 'mapa') e uma carta de arcana maior (que é um oráculo). As cartas combinadas são 'substância' pra você criar uma narrativa sobre o que aconteceu ou está acontecendo com sua personagem. Dependendo também do valor da carta, a lembrança que você está revivendo pode ser sua ou pode ser uma ilusão ou corrompida pelo Uhmio. No final do jogo, você confere quantas lembranças são suas e quantas não são pra concluir a sua história como uma espécie de 'vitória ou fracasso'. Tem alguns detalhes a mais, mas não vou me aprofundar pra não ficar um post muito longo.

Há algum tempo comecei a jogar Her Odyssey e compartilhar aqui no blog, mas achei que seria legal compartilhar também uma partida de um jogo que eu criei. Esse especialmente é um dos mais recentes e profundamente narrativo, sem testes, status, etc, por isso acho que pode ser interessante, principalmente pra quem tem curiosidade sobre RPG e quer conhecer mais.

Se você quiser ter uma cópia de Under the Twilight, é só clicar aqui. Por agora tem apenas a versão em inglês disponível, mas logo eu tento compartilhar uma tradução. Você pode comprar a sua cópia do jogo, e se você não puder pagar, tudo bem, é só pegar uma cópia comunitária. E se você quer saber mais sobre o que é um jogo de diário, eu fiz essa minizine falando mais sobre isso.

Sem mais delongas, vamos lá?


16 outubro

Quando inimigos não são maus por natureza

Esta é a série 'Pílulas', uma coleção de transcrições dos vídeos que tenho produzido para trocar ideias e provocar reflexões sobre jogos, audiovisual e design. Você também pode assistir abaixo, e aproveita pra conferir e seguir onde você preferir, pelo YouTube, Instagram ou TikTok! 😍

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Às vezes você acha que um jogo é sobre um herói, uma cidade ou até mesmo o vilão, mas South of Midnight é mais sobre monstros. Só que o mais interessante é que nenhum deles parece realmente maligno. Eles parecem machucados. Tem uma frase no artbook do jogo que diz:

Hurt people hurt people

... pessoas machucam pessoas. E esse jogo transforma essa ideia a partir da direção de arte de uma forma muito interessante. 

O jogo inteiro parece costurado: personagens, fios, tecidos, tapeçarias. E Hazel, ela é uma guerreira, mas também uma tecelã, alguém que tá ali pra costurar os padrões quebrados de volta no lugar. E talvez por isso que os monstros do jogo nunca pareçam simplesmente maus. Tom Dois Dedos, por exemplo, ele não nasce uma criatura violenta. Ele foi abandonado, passou fome, foi transformado em algo monstruoso pela maneira como ele foi tratado. E o jogo faz isso o tempo todo. Os monstros não representam o mau, eles representam o trauma que apodreceu por tempo demais.

Até o visual do jogo parece seguir mais ou menos essa lógica. A animação em stop motion não tenta esconder imperfeições. Você sente a textura em tudo, no tecido, no barro, até na poeira. E tudo parece feito à mão, como se o mundo inteiro tivesse sido montado pedaço por pedaço. E isso faz sentido, pois é um jogo obcecado por remendos, de famílias, memórias, corpos.

O próprio folclore do jogo funciona nessa mesma lógica. Lendas são só memórias que são costuradas através do tempo. E talvez seja isso que eu mais gosto no jogo. Ele entende que a direção de arte não serve só para deixar o jogo bonito. Ela pode carregar a ideia inteira da obra. E South of Midnight, no fundo, é sobre pessoas tentando sobreviver ao que as rasgou. E fica aí uma boa dica de história pra você conhecer.

02 julho

DQAD

DQAD é uma coleção de 12 artes digitais criadas usando fotografias aleatórias e p5js. O processo de estilização foi feito através de um webapp, que também está disponível para você usar e experimentar criar com a sua biblioteca de imagens.

DQAD (1)

29 maio

SHATTRD (2026)



Preso em reboots infinitos, a identidade de um personagem se dissolve. Usando imagens piratas e modificadas de GTA: San Andreas com intervenções de glitch e datamosh, o filme transforma o videogame em um ensaio experimental sobre obsolescência, performance e o indivíduo.

06 maio

Acho que sou maníaco

Acho que sou maníaco. Não no sentido clínico, mas no sentido de que tenho uma obsessão por criar coisas. Quem lê o meu blog, já deve ter notado, quando não é com papel, é com código, ou música, ou escrita. Sempre tem alguma coisa pulsando aqui dentro. Implorando para ser jogado pra fora de alguma forma, em algum formato.

Talvez esse termo seja forte, mas sabe quando você encontra algo que parece caber? Fazer sentido? Dispenso todas as gravidades clínicas, acho que o termo é mais próximo pelo sentido de não conseguir controlar esse impulso de "fazer".

Há muitos anos vi um vídeo da Emilie Wapnick sobre pessoas multipotentialite, ou multipotenciais. Foi uma forma dela "categorizar" pessoas que tem o hábito de se apaixonar por algo, dedicar tempo e esforço para aprender, compreender e produzir, e então desapegam e vão para a próxima paixão. E isso acontece com uma frequência tão grande, que é difícil acompanhar. Em um mundo onde ser especialista é algo tão requisita, essas pessoas acabam se tornando os "fracassados" da sociedade, mas na verdade, são pessoas que tem uma capacidade de aprender e se adaptar de forma rápida e profunda—sim, nada elimina a profundidade, mesmo que seja algo que não se mantenha por muito tempo.

Acredito que estou há alguns anos permeando essas duas ideias. E tudo bem. Basicamente aprendi a lidar e ser assim. Mas esse não é um post pra dramatizar essa situação, e sim, principalmente, compartilhar um pouco das coisas que eu venho fazendo, e acabei acumulando e não compartilhando—e vocês sabem que eu gosto de compartilhar.