Desde que me afastei da tatuagem, tenho buscado loucamente um novo "fazer manual", e como os jogos que eu crio pra gringa tem um formato semelhante... why not?
Semana passada eu fiz essa experiência com colagens, pois queria criar algo, mas estava meio cansado pra escrever algo...
Na verdade tenho me perdido muito - sim, tempo - em pesquisas, e entrando em loops onde o pesquisar e arquivar referências tem sido mais interessantes do que chegar em algum lugar.
Já me falaram que isso é perigoso, mas até o Austin já falou "pesquisar se tornou sua forma de procrastinação, pois, encaremos, pesquisar é mais divertido do que escrever", e não é?
Acho que isso também não é só uma treta minha, vejo meus alunos da graduação se batendo em processos criativos quando precisa criticar algo ou sintetizar algo, acho que nosso senso crítico tá sendo devorado pelo excesso de estímulos errados.
Carr escreveu sobre isso, lá em 2011, que seus amigos se preocupavam "se seus cérebros não estão se tornando cronicamente dispersos"(1), CRONICAMENTE.
Mais de vinte anos depois, e de tanta superficialização da informação e adensamento do ritmo de consumo, o crônico de Carr é o mínimo esperado de uma pessoa normal. Não sei se há uma solução pra isso, mas comigo, bom, tédio ajuda.
Eu volto a escrever e pensar mais profundamente quando me afasto das demandas do dia e também deixo de lado o "preciso " escrever ou criar - tanto faz - e assumo um estado de "vou fazer qualquer coisa que der vontade aqui".
Se não dá vontade, não faço. Eu sempre vejo pessoas dizendo que gostam da pressão, que produzem na correria, mas convenhamos, qual a profundidade do ato e do fim sob essas condições?
Seja como flor, talvez seja o fardo de ter que terminar uma pesquisa, me afastar do assunto, entregar algo final, que torne o processo muito mais atrativo, não sei.
***
Mas voltando para o que eu realmente queria compartilhar, a zine que fiz semana passada foi justamente nessa vibe. Fiz várias pesquisas buscando algo legal pra criar e acabei fritando demais, e quando fiquei atoa, me veio essa vontade de não escrever, mas de usar o acaso.
Existe tanta subjetividade na poesia, que pra mim, são como pinturas abstratas, uma vez prontas, são do espectador... e há tanta subjetividade no olhar, que fiquei instigado em descobrir o que eu encontraria nas palavras de outras pessoas, tornando elas minhas, e assim essa zine "um mergulho marginal como poeta" surgiu e você pode ver um pouco dela abaixo, e se quiser, fazer o download e imprimir aqui.
(1) The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains - Nicholas Carr
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